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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Duplicação da Avenida Tronco

Fortunati: “Não temos resposta para tudo porque estamos construindo essas respostas”. Ainda, senhor prefeito?



Em um salão cheio da Igreja Santa Teresa - comunidade do Cristal, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, ainda deixou questões sem resposta sobre a remoção das famílias que serão impactadas pela duplicação da avenida Tronco. Prefeito também tentou despistar sobre outros assuntos, como as casas de passagem.

A vinda do prefeito Fortunati às vilas do Cristal e da Divisa na noite desta quarta-feira (29), na zona Sul de Porto Alegre, para falar sobre os impactos da duplicação da avenida Tronco é considerada uma vitória pela comunidade. A visita do prefeito somente aconteceu após as lideranças decidirem, junto com os demais moradores, não responder ao cadastro socioeconômico feito pelo DEMHAB, a partir do qual se terá dados sobre as famílias que deverão deixar suas casas devido à obra.

A ida da prefeitura contou com o primeiro escalão em peso: além de Fortunati, estiveram presentes os secretários de Coordenação Política e Governança Local, Cezar Busatto, da Gestão, Newton Baggio e da Fazenda, Urbano Schimitt; o diretor presidente da EPTC, Vanderlei Capellari, diretor-geral do DEMHAB, Humberto Goulart, engenheiros e arquitetos responsáveis pela obra e, claro, diversos assessores, fotógrafo e cinegrafista. A assembleia começou com as exposições da prefeitura sobre a obra: cronogramas e traçado da nova avenida, situação das áreas que depois de cinco meses de terem sido apresentadas pela comunidade à prefeitura ainda estão sendo negociadas, as benfeitorias do programa federal Minha Casa Minha Vida 2, medidas e detalhes sobre as casas e os apartamentos a serem construídos, uso do bônus-moradia no financiamento de habitações pelo programa federal, comprometimento do prefeito Fortunati de que a duplicação da Tronco e seus desdobramentos sejam bons para toda a comunidade etc.

Palavras, gráficos e mapas muito bonitos e bem desenhados, mas poucas respostas realmente concretas.
Ao invés de apresentar as áreas já adquiridas para remanejamento (até a noite desta quarta havia apenas uma comprada, a da rua Silveiro, onde cabem 145 famílias), Fortunati tentou convencer os moradores de que seus direitos serão respeitados e da necessidade de responder ao cadastro socioecômico, pois sem este a prefeitura não teria, segundo ele, como fazer o plano habitacional. “São obras que devem trazer benefícios para a cidade e a comunidade”, “vamos fazer obras de infraestrutura. Queremos que a comunidade tenha vida digna”, “as famílias serão indenizadas de forma legal, justa e digna” foram mais algumas das promessas de Fortunati e da prefeitura à comunidade.

Nas entrelinhas, o prefeito também negou que a prefeitura esteja fazendo a obra e as remoções a “toque de caixa” e se eximiu da responsabilidade de que as obras possam atropelar a organização das comunidades. Fortunati afirmou diversas vezes que “o dinheiro [do PAC de Mobilidade para as obras da Copa de 2014] deixará de existir em 31/12/2011. Palavra da presidenta Dilma, não é minha”, logo emendando um contraditório “Temos pressa porque é o calendário que nos foi exposto. Mas faremos sem qualquer atropelo, respeitando a comunidade”. O prefeito também deixou para a comunidade o peso caso a duplicação da Tronco não aconteça: “Querem aguardar mais 30, 40 anos, tudo bem”, afirmou aos moradores.

Não houve respostas sobre o bônus moradia. A única certeza dada pela prefeitura é de que o valor, até então determinado em R$ 40 mil, deve ser reajustado. No entanto, segundo Fortunati, o novo valor depende do cadastro socioeconômico. Por que motivos precisaria do cadastro, não ficou claro e muito menos convencível. No caso de quem optar pelo Minha Casa, Minha Vida, o prefeito afirmou que poderá acessar o aluguel social no valor de R$ 400,00, que será pago até a casa ser entregue ao morador.

Sobre as casas de passagem, o prefeito disse que é contra esta medida e que “quando assumi, disse que era para acabar com as casas de passagem”. Afirmação no mínimo estranha já que na remoção dos moradores da Vila Dique para o novo reassentamento (devido à obra de duplicação da pista do aeroporto para a Copa de 2014), a prefeitura municipal usou as casas de passagem para famílias cujas casas ainda não estavam prontas. Na própria Vila Barracão, na região do Cristal, um morador denunciou na assembleia desta quarta-feira que uma família já mora há 8 anos em casa de passagem. 

Moradores mostraram à prefeitura que não são bobos

As comunidades do Cristal e da Divisa foram bastante organizados para a assembleia. Cartazes cobrando respostas concretas da prefeitura foram pendurados na parede do salão paroquial. Todas as falas, tanto de lideranças quanto dos moradores, foram questionadoras e de críticas à falta de diálogo e de informações por parte da prefeitura. Os moradores também deixaram claro que não são contra a obra, como o prefeito afirmou em um programa na Rádio Gaúcha, mas exigem que seus direitos sejam respeitados. “Queremos assistir a Copa do Mundo sentados na nossa casinha, não na rua”, disse Noeli, que mora há 52 anos na região. Seu Zé, da vila Divisa, que nasceu e vive ali há 71 anos, disse à prefeitura que, sem respostas concretas, a comunidade não irá responder ao cadastro socieconômico. Os moradores também questionaram se era realmente preciso remover as pessoas para a obra, se não era possível a urbanização do próprio local. Sobre esse tema, o prefeito Fortunati disse que, em alguns locais da Tronco, não era possível a duplicação porque as casas estavam muito perto da avenida.

Da reunião, foi encaminhada um próximo encontro com a EPTC para esclarecer o canteiro de mais de 40m de largura previsto na avenida Tronco – e que até então a comunidade era informada de que seria uma praça. As lideranças também farão uma nova assembleia, da comunidade, para avaliar o encontro com os representantes da prefeitura e os próximos passos.


DADOS APRESENTADOS PELA PREFEITURA

Orçamento da obra de duplicação: R$ 78.485.901,16
Licitação da empresa: setembro de 2011
Início da obra: janeiro de 2012
Fim: Julho de 2013

Cerca de 1443 famílias devem ser removidas para a obra

Sobre as áreas: serão adquiridas em três etapas. Além da área da rua Silveiro, único terreno comprado até o momento para o reassentamento das famílias, a prefeitura teria resposta de outras seis áreas até hoje (30/06) e, as demais, com prazo até Julho (aquisição administrativa), até setembro (aquisição judicial); outras nove áreas, que totalizariam o reassentamento de 503 famílias, o prazo para aquisição é até outubro deste ano. A tão propalada área do Exército (caberiam cerca de 200 famílias) não tem prazo para aquisição. Motivo, segundo a prefeitura: o Exército está cobrando um preço muito acima do mercado.

A prefeitura afirmou que, devido às características dos terrenos na região, que não são muito grandes, o apartamento deve ser a unidade habitacional mais usada. Perguntas sobre se as famílias poderão levar seus animais domésticos ou de trabalho (como cavalo) não foram respondidas pelo prefeito Fortunati. 

Apartamentos e sobrados: tamanho de 45m²
Casas para PPDs (portadores de deficiência): tamanho de 49,5m²

Cadastro: até o momento, o DEMHAB cadastrou, na Cruzeiro, 842 famílias. Oitenta por cento delas podem ser incluídas no Minha casa, Minha Vida, na faixa de 0-3 salários.
Em caso de terrenos não legalizados ou aluguel, quem será cadastrado é a pessoa que mora ali naquele momento (e não o proprietário, no caso do aluguel).

fonte: Gt Comunicação Comitê Popular da Copa Porto Alegre

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O MUNDO DE Ó - Central Social RS produzindo na horta do Quilombo

PRÊMIO INTERAÇÕES ESTÉTICAS 2010 -
Neste filme optamos por submergir do universo infantil, para isso nos apropriamos do fruto da oficina de bonecos do Griô Edu Nascimento, na realidade, dar vida aos bonecos "Cidró" e "Goró" foi algo realmente surpreendente.
O filme foi gravado num dia cinzento, quando o sol fez questão de não raiar intensamente. O local das gravações foi à horta comunitária, sim, colocamos os bonecos entre as pimenteiras e tomateiros... Na mão do "Cidró" um belo ramo de Marcela, é como diz o ditado: Marcela é tiro e queda.... 
Este filme foi  gravado com câmera de telefone celular. Faz parte de uma proposta da CENTRAL SOCIAL RS que finalizou dez curtas na primeira metade do ano de 2011.
  
Este filme tem roteiro de Cristiano Bronze e Fotografia de DmC Magal, a assistencia foi de Everton Negro É. Nessa obra utilizamos na captação das imagens uma câmera de celular, a iluminação e os trabalhos de áudio contaram com os trabalhos do Carlinhos e da Saionara da Produtora CVP, a trilha sonora teve microfonação de Jonatan Cabelo.
texto: Ricardo Sória
Fotos da ofina:Fernanda Rizzolo e Leandro Anton
Fotos da sessão de gravação externa(trilha sonora): Everton Marinho


domingo, 22 de maio de 2011

Olhares de cima para a Biodiversidade

Na parte inferior da foto a privatização do espaço público, um cercadinho com uma imitação de campo de futebol para um programa esportivo de televisão, qualquer semelhança com a copa do mundo 2014 não é mera coincidência, e acima a Feira da Biodiversidade com Geodésicas nas quais pode-se entrar por qualquer lado, interação, autonomia, relação com cidade integrando e respeitando suas diversas manifestações.

A Feira em sua totalidade, à esquerda estava com tendas dos participantes da feira a central de comunicação, que tinha a rádio com a contribuição de vários coletivos e também a transmissão ao vivo pela internet viabilizada pelo Coletivo Catarse. No centro a Geodésica espaço de muitas apresentações, capoeira, teatros, ação direta, rodas de mate e de charlas durante todo o dia, espaço público preservado no seu uso e seu fim, para toda a cidade e seus frequentadores, sem cercs, sem seguranças, sem mídia hegemônica, proprietária.

Geodésica menor com a exposição do Morro Santa Teresa, do movimento O Morro é Nosso, barraquinha com o livro Imagens Faladas do Quilombo do Sopapo e com o informativo número 2 do Comitê Popular da Copa Cristal, que pode ser visto postado abaixo



Fotos: Carlos Alberto Machado, Douglas de oliveira e Saionara Silva - CVP/Quilombo do Sopapo

Post: Leandro Anton

sábado, 7 de maio de 2011

5ª SemaNa dA bioDiveRSidade

No dia 19 de maio o Quilombo do Sopapo estará presente na 5ª Feira da Biodiversidade com uma banca expondo o Livro Imagens Faladas e também a mistura de tempos e de ações que resultaram na arte e camiseta do ponto de cultura. Também estaremos colaborando com a rádio que estará funcionando todo dia da feira no largo do Mercado Público de Porto Alegre além da cobertura em vídeo e fotos da feira.
Abaixo estão o cartaz, a data da próxima reunião e também a programação da 5ª semana da Biodiversidade.



feSta da biodiversidade
próxima reUniãO dA bioDiVeRSidade
terça-feira, dia 10 de maio
Horário: 19horas
Local: CasaNAT
espaço de sustentabilidade dos Amigos da Terra Brasil
Endereço: Olavo Bilac, 192 - Cidade Baixa
 

pROgramaÇãO
SemaNa dA bioDiveRSidade

ciNema bioDiveRSidade
Quarta-feira, 18.mAio.2011, 19h
“O Grande Tambor”
Debate após o filme
Sala Redenção da UFRGS

feiRa dA bioDiveRSidade
Quinta-feira 19.mAio.2011
Largo Glênio Peres
Durante todo o dia: bancas com exposição de trabalhos de coletivos e movimentos, rádio, oficinas, teatro, capoeira.
 
fESta dE cOnfRAterNizaÇão
Sábado 21.mAio.2011, 22h
Galpão do Parque Harmonia
http://blogfestadabiodiversidade.wordpress.com/

post: Leandro Anton

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Imagens Faladas Tá na Rua

Foram dois encontros neste mês de abril que passou. O primeiro deles durante a semana do Quilombo do Sopapo nas comemorações de três anos de ponto de cultura. No dia 15 de abril, sexta-feira à noite, num dos novos espaços do Quilombo, seu estúdio, reunimos no dia da fotografia: Nasson, Saionara, Cristina, Fone, Sueda, Nádia, Douglas, Zé Coqueiro, Carlos, Eduardo e Leandro, personagens e fotógrafos do imagens Faladas - reportagens fotográficas sobre a memória do Bairro Cristal, para a contação de histórias do que é feito o livro.
Contação de Histórias dia 15 de abril no Estúdio do Quilombo                 Foto: Eduardo Seidl
Cristina, Saionara, Carlos e Douglas
fotógrafos do Imagens Faladas
Foto: Eduardo Seidl
Com a presença do SITRAJUFE e da ADUFRGS, apoiadores culturais, que viabilizaram a impressão do livro tivemos uma hora e meia de histórias sobre as reportagens fotográficas contadas pelos jovens fotógrafos e as personagens das histórias, ensaio geral para o dia do lançamento do livro que viria a ser feito no dia 30 de abril durante a Volta do Povo à Praça, evento comunitário na praça em frente ao Quilombo do Sopapo, que receberia o Festival Literário de Porto Alegre.

Em primeiro plano seu Nasson ao lada de Saionara, dupla que fez o capítulo o Nome das Coisas

A roda da contação de histórias no estúdio do Quilombo do Sopapo   Foto: Leandro anton
De pé José Gabriel durante a
contação de histórias
Foto: Eduardo Seidl



No dia 30 de abril é lançado o Imagens Faladas durante o Festival Literário de Porto Alegre. Na manhã daquele sábado, às 10h 30min, de um dia nublado em plena Praça Alexandre Zachia é recriada a roda de contação de histórias para desta vez contar com a presença de Nícolas, Sueda, Carlos, Douglas, Cristina, Saionara, Eduardo e Leandro, oito dos dez fotógrafos, apenas Elincoln não pode estar presente, mais as personagens José Gabriel, Júlio, Nádia, Zé Coqueiro e Fone.
Douglas autografando livro para
Eleonora, representando a Regional Sul do MINC
Foto: Eduardo Seidl
Aproximadamente 40 pessoas participam do lançamento durante a contação e 80 livros são distribuídos na sessão de autógrafos que encerrou a atividade de lançamento. Momento de pura magia ao lada da casa grafitada durante a primeira edição da Volta do Povo à Praça em 27 de novembro de 2010, cercada por ávores e os panos vermelho e azul no dia que antecedeu ao GRENAL que terminou empatado em 1 X 1.


De pé José Gabriel e Nádia, sentados autografando Cristina, Saionara e Carlos.... 
e a fila só aumentava                   Foto: Eduardo Seidl

Imagens Faladas é resultado da Interação Estética - Residência Artística desenvolvida entre os meses de janeiro e junho de 2010 no Quilombo do Sopapo e principalmente nas ruas do Cristal e Morro Santa Tereza, passando pelo Hipódromo, Estaleiro Só e Orla do Guayba, FASE, Campo do Neri, Vila Hípica, Nossa Senhora das Graças, Gaúcha, Ecológica e União Santa Teresa com uma visita a Lomba do Pinheiro e incursões por ruas do Centro e Assembléia Legislativa. 
Aqui está o link para o Imagens Faladas digital e para os que se interessarem em contribuir com a oficina continuada de fotografia do Quilombo do Sopapo, na Av. Capivari 602 estamos com 300 exemplares, dos 1000,  para aquisição que formará o fundo da oficina, como aquisição de materiais, auxílo de transporte e alimentação para os oficinandos nas saídas fotográficas e bolsa para um dos jovens que fizeram o Imagens Faladas para ser o monitor da oficina entre os meses de agosto e dezembro deste ano. Desta forma buscaremos estar iniciando a sustentabilidade do núcleo de fotografia do ponto de cultura e viabilizando a permanência de um dos jovens como agente comunitário cultural no SOPAPO independentemente de projetos aprovados.
O valor mínimo do livro é R$ 10,00 e os que quiserem dar mais alguma contribuição para o fundo podem fazê-lo a seu critério. O Quilombo do Sopapo está aberto de segunda à sexta-feira das 13 às 19h. Nossos contatos são pelo e-mail quilombodosopapo@gmail.com e pelos telefones 3398-0602, 3398-6788 e 96278626.

Fonte: www.projetoimagensfaladas.wordpress.com


terça-feira, 3 de maio de 2011

Impacto da Copa 2014 em Porto Alegre - Audiência Pública com a Câmara de Vereadores de Porto Alegre


Este vídeo é resultado da audiência pública realizada no salão paroquial da Igreja Santa Teresa com a Câmara de Vereadores de Porto Alegre com a participação da Presidência da Câmara, e as comissões de habitação e da copa 2014 da mesma Câmara de Veradores.
Esta audiência foi provocada pelo Comitê Popular da Copa Cristal e pelas Associações de Moradores da Região. Ela finaliza um ciclo de audiências públicas provocadas pela organização popular que teve início no dia 08 de outubro de 2010 com entrega de uma manifestação ao Procurador Luciano Brasil do Ministério Público Estadual, teve sequência no dia 25 de março de 2011 com a audiência realizada no Auditório  Dante Barone, da Assembléia Legislativa, com o Ministério Público Federal e outra realizada no dia 15 de abril na sede da AMVTRON com a comissão de habitação e regularização fundiária da Assembléia Legislativa.
Com este ciclo de audiências públicas de iniciativa popular, o Movimento Comunitário entende que não há mais tarefas institucionais a serem cumpridas e que todas as audiências que ocorrerem daqui por diante são para responderem a todos os documentos e propostas já encaminhadas a Prefeitura Municipal, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Assembléia Legislativa Estadual e Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
O Comitê Popular da Copa Cristal e as Associações de Moradores, Entidades e Movimentos Sociais que o compôe, sinalizam sua capacidade e prioridade para o diálogo com princípios constitucionais que têem como parâmetros a defesa dos direitos humanos à moradia digna, saúde, educação, meio ambiente, cultura e á Terra.

post: Leandro Anton
vídeo: http://comitepopularcopapoa2014.blogspot.com/2011/05/audiencia-publica-no-bairro-cristal.html

domingo, 1 de maio de 2011

A Volta do Povo à Praça - algumas imagens


Oficina Dulcinéia Catadora: confecção de livros com materiais reciclados
Foto: Leandro Anton

Foto: Saionara Silva

Foto: Saionara Silva

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Banda da Elpídio Paes: apresentação da escola de Ensino Médio na manhã de Sábado
Foto: Saionara Silva

Foto: Saionara Silva

Foto: Saionara Silva

Imagens Faladas - contação de histórias e lançamento do livro com sessão de autógrafos
Foto: Patrícia Ribeiro

Foto: Sueda Juliane

Foto: Sueda Juliane

Foto: Sueda Juliane

Foto: Patrícia Ribeiro

Oficina de Muralismo com o Levante Popular da Juventude: início do muralismo recuperando o território ocupando a praça
Foto: Saionara Silva

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

O Inusitado: oficina de futebol de botão com Leandro e distribuição de medalhas no final da manhã e da tarde
Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Os Balões: campanha contra a violência e exploração sexual de crianças e adolescentes
Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Ônibus Gravaêh!: gravação de Hip Hop´s do Central Social RS ouvida e assistida por todos que estavam na praça
Foto: Leandro anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton

Foto: Leandro Anton


post: Leandro Anton

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Moradores do Cristal exigem área do Jóquei para moradia popular


Fotos: Mariana Fontoura (CMPA)
Raquel Casiragui - GT Comunicação

Cerca de 250 moradores do bairro participaram, na noite desta quarta-feira (27), da audiência pública da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A presidente da Câmara, vereadora Sofia Cavedon, aceitou a indicação da área do Jóquei para desapropriação para moradia de interesse social.

A comunidade do Cristal compareceu em peso no salão da Igreja Santa Teresa, na Vila Cruzeiro, não só para ouvir, mas para falar sobre as incertezas em relação à duplicação da avenida Tronco – principal obra da Copa de 2014 na região – e exigir respostas da prefeitura municipal sobre a situação das famílias que serão removidas para a realização da obra. Lideranças e moradores reclamaram que a prefeitura ainda não apresentou o projeto final de duplicação à comunidade, nem as áreas disponíveis e o cronograma para realocar as cerca de 1,8 mil famílias que terão que deixar suas casas. Preocupação que tem aumentado à medida que se aproxima o prazo divulgado para iniciar a obra, que é em Junho deste ano, mas está atrasado. “Não há transparência por parte do Poder Público”, reclamou José Araújo, morador e liderança local.

Os participantes da audiência ressaltaram que as críticas da comunidade não devem ser interpretadas como sendo contra o progresso da região ou contra a Copa de 2014. “Queremos Copa sim, mas com moradia digna. As casas que têm aqui podem ser simples, mas são nossas. Cada ‘preguinho’ foi colocado com muito suor”, disse Marta, moradora local. 

Ronaldo Souza, morador do Morro Santa Teresa, comparou as obras da Copa como receber uma visita em casa. “Quem não tem o costume de limpar a casa todo dia, limpa para receber as visitas. E o que geralmente se faz? Joga-se a sujeira para debaixo do tapete. Não é isso o que queremos que aconteça aqui com a comunidade do Cristal”, afirmou. Irmã Conceição, da Casa de Nazaré, falou sobre a situação preocupante de famílias envolvidas no PISA (Programa Integrado Sócio-Ambiental) ao redor do Arroio Cavalhada, que haviam saído e estão voltando ao local por não ter onde morar. 

Outros moradores alertaram para a pressão que empresas, construtoras e demais interessados e envolvidos na especulação imobiliária fazem para retirar as comunidades pobres do Cristal (bairro que adquiriu alto valor no mercado nos últimos anos) e de outras regiões de Porto Alegre. “Estou muito preocupado com o que está sendo dito aqui, porque sempre tentaram tirar as nossas vilas do Cristal. E agora vão usar a Copa do Mundo para nos tirar daqui”, disse Felisberto. Waldir Bohn Gass, liderança local, lembrou que a especulação imobiliária irá continuar na região após o megaevento mundial de futebol. “A pressão da especulação imobiliária continua depois da Copa. Nós do Cristal podemos dizer ‘não’ a tudo isso”.

Área do Jóquei para moradia popular

Uma das principais reivindicações apresentadas pelos moradores na audiência pública foi destinar a área das cocheiras do Jóquei Clube à parte das famílias que terão que deixar suas casas para a duplicação da avenida Tronco. Em meados da década de 40, esta área havia sido doada pelo governo do Estado para que o jóquei se instalasse no bairro Cristal. 

No ano passado, a governadora Yeda Crusius conseguiu aprovar, por unanimidade na Assembleia Legislativa, um projeto de lei que permite ao Jóquei Clube dar outra função à área, sem precisar estar relacionada às suas atividades de hipódromo. Com essa lei, o Jóquei pôde fazer negócio com a área de quase 17 hectares das cocheiras, repassando à construtora Multiplan. 

O projeto da empresa é construir 18 prédios “espigões” para moradia de alta classe e outros 2 para escritórios, dando em troca para o jóquei, os dois edifícios comerciais e parte do aluguel. Todo esse empreendimento, num local com infraestrutura e com uma visão privilegiada do Rio Guaíba. “Uma área pública, que poderia ser destinada para moradia popular, regularizando a região e tirando famílias pobres de áreas de risco, foi dada de graça para a iniciativa privada construir casas de ricos. Assim como o governo do estado errou, queremos que isso seja desfeito, gravando a área como AEIS [Área Especial de Interesse Social]”, argumentou a arquiteta Cláudia Fávaro.

A arquiteta, que contribui no Comitê Popular da Copa do Cristal, ainda questionou os representantes da Câmara de Vereadores que, em novembro passado aprovou a alteração na Lei 636. A mudança abriu uma exceção para as obras da Copa ao permitir que famílias que terão que ser removidas sejam reassentadas em áreas fora da microrregião em que vivem. “Isso foi uma perda enorme para a população do Cristal”, lamentou.

Sobre a proposta apresentada pela
Comissão de Habitação/SECOPA da Grande Cruzeiro, de destinar parte da área da FASE (Fundação de Atendimento Sócioeducativo) no Morro Santa Teresa para famílias da Tronco, Claudia não considera a melhor saída. Ela lembrou que boa parte da área é de preservação ambiental, portanto não pode ser habitada. Também argumentou que o morro já é densamente ocupado e que há muitas famílias vivendo em áreas de risco, que devem ser removidas para a área da FASE, permanecendo na mesma região. “Por que tem que colocar pobre em cima do morro? Queremos moradia digna. E a área do jóquei, junto com os terrenos a serem gravados perto da Tronco, resolvem a situação das famílias do Cristal”, defendeu.

E a prefeitura? Estudando...

Embora bastante atencioso na audiência pública e nas questões colocadas pelos moradores, o secretário adjunto da Secretaria de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Roni Marques Corrêa, trouxe poucas respostas concretas para a comunidade. Sobre a apresentação das áreas para realocação das famílias e o cronograma, Roni disse que a prefeitura ainda está estudando e que até setembro devem ter os locais. Em relação à possibilidade de as famílias terem que ir para as precárias casas de passagem para que a obra possa iniciar logo, o representante da prefeitura afirmou que esta possibilidade não foi determinada pela prefeitura. Mas também não a refutou. Sobre a reclamação de lideranças de que o valor de R$ 40 mil para o bônus-moradia é muito baixo (na região do Cristal, segundo os moradores não se compra nenhuma casa por menos de R$ 80 mil), a prefeitura também está estudando.

Em relação ao projeto final do trajeto da duplicação da avenida Tronco, Roni afirmou que a prefeitura deve apresentar para os moradores entre 10 e 15 dias.

Comissão da Câmara se compromete com área do Jóquei

Ao final da audiência pública, a presidente da Câmara, vereadora Sofia Cavedon, comprometeu a Comissão Especial de Acompanhamento da Copa do Mundo às seguintes reivindicações dos moradores:
- desgravar a área prevista para a praça na avenida Tronco;
- aceitam a indicação da área do jóquei para desapropriação para moradia de interesse social;
- serão parceiros em abrir um movimento, junto ao governo estadual, para recuperar a área do jóquei;
- manter o diálogo com a população.



Ficou pré-agendada uma reunião com a comunidade do Cristal para a semana dos dias 09 a 13 de Maio, a fim de que a prefeitura apresente o projeto final do traçado da duplicação da Avenida Tronco.