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sábado, 6 de julho de 2013

Carta ao Prefeito dos Moradores da Cruzeiro e Cristal




Exmo. Sr. José Fortunati,

Prefeito Municipal de Porto Alegre,
O Comitê Popular da Copa de Porto Alegre atua desde 2010. Fazemos parte da ANCOP – Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa junto com outros comitês locais sediados nas doze cidades que receberão os jogos para a Copa do Mundo FIFA 2014. Viemos acompanhando o tema, estudando seus impactos e trabalhado diretamente com as comunidades que estão sendo atingidas. Durante esse tempo vimos diversas declarações e ações descabidas do poder público municipal quanto ao tratamento destinado a população que vive nas áreas que estão sendo modificadas pelas as obras relacionadas a Copa na cidade.
Nós do Comitê Popular da Copa de Porto Alegre, as comunidades atingidas pelas obras de duplicação da Avenida Tronco, o Bloco de Lutas pelo Transporte Público e apoiadores, viemos, através desta carta, chamar atenção para alguns fatos e apresentar nossas reivindicações.
Considerando sua declaração de que todas as obras de mobilidade seriam retiradas da matriz de responsabilidades da Copa do Mundo de 2014, mas que nada mudaria em relação aos prazos de encerramento por conta do aumento de custos e da pressão das empresas licitadas em finalizar os trabalhos, numa clara e deliberada tentativa de neutralização das lutas que até então utilizam como significante as violações de direitos humanos decorrentes destas obras;
Considerando sua declaração na assembleia do Orçamento Participativo de 02 de maio de 2012, na qual se comprometeu em não remover as famílias atingidas pelas obras até que as casas novas estivessem prontas, assumindo assim a campanha Chave-por-chave, desde que o governo Federal mantivesse os recursos disponíveis após o período da Copa, não comprometendo sua execução;
Considerando as últimas declarações públicas do coordenador técnico das obras da Copa, Rogério Baú, de que “só um milagre pode fazer com que as obras da Copa acabem no prazo previsto”, considerando que o principal empecilho seriam as negociações com os moradores residentes em áreas atingidas e que a primeira parcela do recurso previsto para a duplicação da Av. Tronco, a obra prioritária para a cidade, foi liberada apenas no dia 8 de maio de 2013;
Considerando que até hoje não foi apresentado um Plano de Reassentamento construído participativamente, mas apenas uma sistematização das necessidades de remoção com algumas soluções não condizentes com a necessidade real das familias ou soluções que violam direitos humanos como o Aluguel Social ou, ainda, o precário Bônus Moradia que já não cumpre a lei que o criou;
 O Comitê Popular da Copa de Porto Alegre, as comunidades atingidas pelas obras e seus apoiadores entendem que as pautas do diálogo são as seguintes:
Chave por Chave
- Parada imediata das obras da Av. Tronco até que sejam extintas as violações de direitos e construção de um plano de reassentamento participativo;
- Revisão da lei que exime a Prefeitura de Porto Alegre reassentar no mínimo 80% das famílias de comunidades atingidas por obras de interesse público dentro da própria microregião ou num raio de 2km da moradia atingida;
- Parada imediata da concessão de aluguel social para obras de mobilidade;
- Aumento imediato do bônus Moradia e revisão de seu processo de concessão;
- Repasse de informações corretas para a população, reuniões com as lideranças diretamente atingidas e atas das reuniões já realizadas;
- Aquisição imediata de área para construção de unidades habitacionais da tipologia CASAS na região.
- Negociação junto ao governo do Estado para desapropriação por interesse público e imediata gravação de AEIS III para construção de CASA na área conhecida como Cocheiras do Jockey Clube.
- Prefeito Fortunatti sancionar imediatamente o projeto de lei que torna AEIS, Área de proteção de ambiente natural e cultural, aprovada na quarta-feira 03 de julho de 2013 pela câmara de vereadores por unanimidade, a área da FASE no Morro Santa Teresa.
Concentração em frente ao Postão da Cruzeiro        foto: Leandro Anton
Afirmamos que:
Sua manobra para neutralizar o significante principal do movimento, retirando as obras da matriz de responsabilidade da Copa, não deu e não dará certo. Pelo contrário, somamos forças com as movimentações sociais que explodem, neste momento, por todo o Brasil, por cidades justas e participativas, cuja produção, crescimento e investimentos devem ser decididos pelo poder popular.
Outras iniciativas débeis como a articulação da SECOPA com seletas lideranças comunitárias locais para neutralizar na base tais movimentações, também perdem legitimidade e mínguam rapidamente.
Entendemos que a retirada das obras da matriz de responsabilidades significa, necessariamente, que as obras devem parar até que os casos de violação de direitos humanos, especialmente os de moradia digna, sejam extintos, e por outros motivos, a saber:
Primeiro, a lei que garantia que 80% da população removida deveria ficar na região foi colocada de cabeça pra baixo por conta da Copa do Mundo, hoje é necessário que apenas 20% fiquem. Com a retirada destas obras da matriz de responsabilidade, ela precisa ser revista, pois a desvinculação implica em retomá-la como de origem.
Segundo, a coação individual, caso a caso, das famílias atingidas, brutalmente realizado pelo escritório do Projeto Nova Tronco deve cessar imediatamente. Lá são negociados o Aluguel social e o Bônus Moradia. O Aluguel Social significa insegurança de não ter mais a casa em que se morou durante décadas, ter o aluguel pago pela prefeitura e confiar nesta estrutura de coação para esperar casas cuja construção sequer iniciou. O valor do Bônus Moradia, referenciado no valor desatualizado do MCMV não será mais aceito enquanto não for atualizado e a terra considerada no momento da avaliação do imóvel a ser desocupado.
Terceiro, o que foi ofertado foram apartamentos na região ou casas fora da região. E quem no cadastro sócio-econômico optou pela tipologia CASA na região, como fica? Tem de escolher entre a casa ou a região: não há opção que contemple seu modo de vida, suas necessidades laborais, sua relação de vizinhança, sua rede de apoio familiar e de serviços públicos. Não há opção que respeite os moradores neste caso, senhor prefeito. No entanto, apenas metade das áreas das cocheiras do Jóquei Clube seria suficiente. Ela foi entregue a empresa Multiplan para um empreendimento de quase 1 bilhão de reais, exatamente no momento em que buscávamos diálogo com os vereadores para propor sua utilização.

Avenida Icaraí, em frente as Cocheiras do Jóckey Clube    foto: Leandro Anton

Porém, pelo enclausuramento dirigista de seu governo que somente visa neutralizar e não dialogar com o poder popular que está nas ruas, encabeçado pela sua equipe da “governança solidária”, não se cogita um plano no qual os atingidos pelas obras possam deliberar sobre suas próprias vidas em conjunto com o poder público.
A prova de que um diálogo sem coação ou jogo de neutralização é viável são os terrenos desapropriados indicados pela comunidade da Av. Tronco, que se tornaram AEIS em 24 de junho passado e foram garantidas para os moradores da região por emendas construídas por eles e pelo Comitê Popular da Copa, juntamente com alguns vereadores. Nossas cidades já são “inteligentes”, senhor prefeito, basta olhar do modo certo e não procurar lá fora o que está pulando em sua frente.
Afirmamos com toda clareza: nossa vontade é que as obras de mobilidade sejam executadas, mas que os moradores da região também sejam beneficiados com as novas condições de urbanidade. A necessidade real dos moradores atingidos pelas obras é que eles apenas saiam de suas casas quando as casas novas estiverem prontas. A necessidade está nas ruas, se apresenta em cada reunião que realizamos em cada conversa na porta de casa que passamos, nos momentos em que os moradores não estão com medo e conseguem falar o que realmente pensam sobre a situação a que foram submetidos em nome do desenvolvimento da sua própria cidade. A necessidade é Chave por Chave!
Diante do exposto, Prefeito  José Fortunati, aguardaremos até 10 de julho de 2013 respostas as questões contidas no documento.

Comitê Popular da Copa de Porto Alegre
Porto Alegre, 04 de julho de 2013.


Concentração em frente ao Postão da Cruzeiro             vídeo: Leandro Anton 


Post:  Leandro Anton






quinta-feira, 4 de julho de 2013

CHAVE POR CHAVE às 17h no Postão da Cruzeiro HOJE!

São três anos de resistência e hoje, após um junho que está na história da democracia brasileira, o Bloca de Lutas vem prestar solidariedade a luta dos moradores e do Comitê Popular da Copa, por moradia digna aos atingidos pela duplicação da Avenida Tronco. 
O movimento comunitário conquistou terrenos na região para o reassentamento, mas até o momento, três anos após anunciada a obra e mais de 9 meses após iniciada a obra nenhuma moradia foi construída para os atingidos, confirmando que a prioridade da obra não é melhoria da qualidade de vida da população diretamente atingida, mas sim melhoria para os megaempreendimentos e para a circulação de automóveis!!!
Vamos seguir cambiando a história. Abaixo seguem fotos da março de 08 de março, nesta mesma avenida já exigindo o início da construção das habitações e também um vídeo da mesma manifestação!!!
HOJE, 17H, CONCENTRAÇÃO NO POSTÃO DA CRUZEIRO!!! 



Bloco de Lutas convoca coletiva de imprensa na Vila Cruzeiro nesta quinta-feira (4)

O Bloco de Lutas pelo Transporte Público e o Comitê Popular da Copa de Porto Alegre concedem entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, dia 4 de julho, às 16h30, no pátio da Escola Estadual Alberto Bins (Av. Tronco, 150, em frente ao Postão da Cruzeiro).  O objetivo é apresentar a Pauta de Reivindicações do movimento aprovada em Assembleia Popular, na noite do dia 1º, no Largo Zumbi dos Palmares, e as exigências dos moradores atingidos pela duplicação da Av. Tronco.

Participam da coletiva três representantes da comunidade Cruzeiro/Cristal, atingidos pelas obras, três representantes do Comitê Popular da Copa e três representantes do Bloco de Lutas.

Logo após, às 17h, inicia a concentração em frente ao Postão 3 da Cruzeiro. A realização da manifestação na Cruzeiro foi definida na Assembleia Popular do dia 1º para apoiar a comunidade que terá cerca de 1,4 mil moradores removidos devido às obras de duplicação. Os eixos principais do protesto são Passe Livre Municipal e Contra os despejos da Copa.

Moradores exigem Chave por Chave

No dia 2 de maio de 2012 ocorreu a Plenária do Orçamento Participativo na qual o prefeito José Fortunati se comprometeu verbalmente em manter as famílias em suas casas até que as novas moradias ficassem prontas. Ou seja, assumiu a campanha Chave por Chave. Nesta mesma assembleia garantiu que a duplicação da Avenida Tronco não seria uma necessidade para a Copa, mas que aproveitariam a disponibilidade de recursos por parte do governo federal para fazer a obra. Portanto, a pressa em iniciar as obras seria somente para não perder os recursos do governo federal, que financia a duplicação. Mas até agora não iniciaram as obras das novas moradias. 

Contatos:
Cláudia Fávaro (Comitê Popular da Copa) - (51) 9451 9361
Lorena Castillo (Bloco de Lutas) - (51)  9505 7053
José Fachel Araújo (Morador da Cruzeiro atingido) - (51) 9945 8549 

Jornalista responsável: Katia Marko (DRT/RS 7969) - Fone (51) 8191 7903


post: Leandro Anton

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Seminário Mais Cultura nas Escolas

 A Secretaria de Estado da Cultura, a Secretaria de Estado da Educação, a Representação Regional Sul do Ministério da Cultura e a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura do RS convidam para reunião ampliada sobre o Programa Mais Cultura nas Escolas.
    A atividade reunirá agentes culturais, coletivos, Pontos de Cultura, Escolas Públicas Municipais e Estaduais dos Território de Paz de Porto Alegre e Região Metropolitana para apresentação do Edital do Programa Mais Cultura nas Escolas. A Representação Regional Sul do Ministério da Cultura apresentará o edital que contemplará até 10 mil projetos voltadas para escolas públicas em todo Brasil, que aderiram ao Programa Mais Educação até 2012. O investimento chega a 200 milhões de reais.Cada projeto receberá entre 20 e 22 mil reais e podem ser encaminhados por pessoa física ou através de CNPJ.
    Este é um espaço de aprendizagem e compartilhamento, onde agentes e organizações destes Territórios de Paz poderão dialogar com os diretores(as) das Escolas Públicas. Participe!





post: Leandro Anton

domingo, 9 de junho de 2013

Festival animado - Projeto Fuzuê


11 de Junho
Ter.
12 de Junho
Qua.
13 de Junho
Qui.
14 de Junho
Sex.
15 de Junho
Sáb.

16h - Abertura
 Roda de Conversa As Interações Estéticas no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo: Diálogos Interculturais (Leandro Anton)

17h - Apresentação de Mamulengos: Repertório e Criações de Leandro Silva

18h - Coffee Break


15h - Mostra de Trabalhos – Mamulengos da Escola Aramy Silva (No Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo)
+
Cineminha Animado com Pipoca (Filme: Príncipes e Princesas, de Michel Oncelot). Apoio: CVP, Núcleo de Audiovisual e Projeto Territórios Digitais Quilombolas


15h - Mostra de Trabalhos – Mamulengos do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo (Na Escola Aramy Silva)
+
Apresentação do Núcleo de Música do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo (Na Escola Aramy Silva)

14h - Workshop 1: O Teatro de Animação e Suas Convergências com Temas Sociais – A Experiência do Fuzuê (Leandro Silva)
+
Workshop 2: Boneco, Plasticidade e Luz – Uma Exploração Fotográfica do Teatro de Bonecos (Leandro Anton e Jéssica Hiroko)

17h -  Coffee Break

12h – Almoço Comunitário (Baião de Dois)
O preparo do baião de dois começa às 10h, ao som de Luiz Gonzaga e o aconchego de um chimarrão.

13h - Implantação do Núcleo de Teatro de Bonecos do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo – Assinatura de Termo e Posse (Núcleos, Parceiros, Oficinandos, etc)


 
É chegado o momento, após seis meses de Residência Artística de Leandro Silva, mamulengueiro do Piauí, no Quilombo do Sopapo, teremos uma semana de muito Fuzuê no Ponto de Cultura. Foram duas frentes na Interação Estética, uma nas terças e quintas à tarde no Quilombo do Sopapo e outra na quartas e sexta à tarde na Escola Aramy Silva, uma das escolas públicas de ensino fundamental dentro do Bairro Cristal.
Mais de 20 jovens envolvidos na Interação Estética Nordestina se encontrando com o ambiente do Bairro Cristal em Porto Alegre.
A riqueza e beleza deste período estará à mostra a partir da terça-feira, dia 11 de junho, no Quilombo do Sopapo e irá até sábado, 15 de junho com muita música, culinária, sorrisos, conversas, tudo um FUZUÊ PRA LÁ DE ANIMADO!!!!
Veja acima  a programação e escolha uma das tardes para participar e fortalecer um programa de cultura viva comunitária que permite artistas brasileiros , educadores populares, circular o Brasil e interagir com espaços comunitários, que a FUNARTE desde 2008 nos agracia!!!!
Conheça também o blog desta residência artística http://fuzue-rede-animada.blogspot.com.br/ .

VENHA!!!!


post: Leandro Anton

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mais Cultura nas Escolas até 30 de junho!



... e na tv se você ver um deputado em pânico... mal dissimulado... diante de qualquer, mais qualquer mesmo, qualquer, qualquer, plano de educação... que pareça fácil, que pareça fácil e rápido que vá representar uma ameaça de democratização do ensino de primeiro grau...” passagem da música Haiti de Caetano Veloso e Gilbero Gil de 1993. http://www.youtube.com/watch?v=jUfNnF0bCOI

O primeiro grau substituímos por escola básica e lembramos que o Programa Cultura Viva iniciado no período de Gilberto Gil a frente do Ministério da Cultura a partir de 2003, se estruturou com 4 eixos de ação, os Pontos de Cultura, a Ação Griô, a Cultura Digital e a Escola Viva. É também nos últimos 5 anos que o Ministério da Educação desenvolve o Programa Mais Educação. 
 
Desde de 14 de maio do ano corrente está aberto o Programa Mais Cultura nas Escolas, programa desenvolvido pela Secretaria de Programas Culturais do Ministério da Cultura que chamou para parceiro o Ministério da Educação, tendo por base a experiência de 34.000 escolas que integram o Mais Educação em todo país.

Este programa dá prosseguimento a construção da escola em tempo integral e busca fortalecer o processo inciado com o Mais Educação e o Programa Cultura Viva, indicando a transversalidade entre políticas governamentais na construção de uma política pública de Estado que integre a Cultura e a Educação, envolvendo a sociedade civil organizada formal ou informalmente aos olhos da pessoa jurídica tendo como protagonista a atividade cultural como prática pedagógica, na cartografia dos territórios educativos das nossas escolas básicas, provocando um encontro de base comunitária tanto por parte das Organizações Sociais como da Instituição Escola Pública, não se restringindo somente aos coletivos, educadores e agitadores culturais que já estejam envolvidos com ambos programas. 
 
O processo para se estabelecer estas parcerias escolas - organizações sociais culturais está aberto até dia 30 de junho de 2013, estando aptas a inserirem estes projetos as escolas do Mais Educação estabelecidas até 2012. Destas 34.000 Escolas, 10.000 serão atendidas nesta primeira experiência. Serão 5.000 Escolas ainda em 2013 e as outras 5.000 no início de 2014. São projetos com duração de no mínimo seis e no máximo doze meses de trabalho acessando entre 20.000 e 22.000 reais cada projeto.

Para os Pontos de Cultura significa possibilidades de aprofundar suas bases comunitárias bem como a sustentabilidade dos educadores que mantém nossos espaços vivos e ativos entre muitas outras potências vitais a construção da nossa rede de Cultura Viva Comunitária.
No link a seguir encontrarás os documentos com a relação das escolas do mais educação, o manual do mais cultura nas escolas e o folder do programa, acesse: http://www.cultura.gov.br/documentos .


... óóó senhor cidadão... eu quero saber, eu quero saber... com quantos quilos de medo, com quantos quilos de medo se faz uma tradição... óóó senhor cidadão... eu quero saber, eu quero saber... com quantos mortes no peito, com quantas mortes no peito se faz a seriedade...” Tom Zé, Senhor Cidadão de 1972. http://www.youtube.com/watch?v=zLTMM3r8wYI , ou clique sobre a imagem do Maneco para ouvir a música na íntegra.

Post: Leandro Anton

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Calle Capivari 602

foto: Leandro Anton

Após a publicação no Diário Oficial da União, do projeto escrito pela GUAYÍ com a colaboração de moradores do Bairro Cristal, o Quilombo do Sopapo tem no SINTRAJUFE-RS a parceria que faz surgir o primeiro Centro Cultural Comunitário para a Juventude do Cristal. Com a aprovação do Ponto de Cultura no edital do MINC 2005 e a parceria do Sindicato inicia-se em fevereiro de 2006 a elaboração da proposta de adequação e ocupação da casa da Avenida Capivari 602.
O Coletivo Casa Tierra faz seu primeiro projeto. Primeiro passo, apresentar a proposta para as lideranças comunitárias do Cristal, que formariam em janeiro de 2008 o Conselho Gestor Comunitário do Quilombo do Sopapo. A apresentação foi no Clube de Mães do Cristal e um comentário marcou este encontro "estes meninos são loucos, uma casa de terra com telhado de grama, isto é possível?"

A frase de Dona Madalena, então presidente do Clube, quase seria repetida em junho de 2006 quando o projeto foi apresentado para a executiva do SINTRAJUFE, que aprovou as adequações na casa de sua propriedade e se encantou com a proposta de uma nova edificação em técnicas de terra e com um jardim suspenso.
Nos sete anos desde estes encontros o Quilombo do Sopapo abriu as portas em janeiro de 2008, fez seus primeiros cursos de comunicação comunitária, entre eles o de Rádio Comunitária com a Rádio Ipanema Comunitária e nela foi anunciada a inauguração oficial que aconteceria em 16 de abril de 2008 com a presença de Mestre Baptista. São mais de quinze projetos que foram executados desde 2008.
É no final de 2011 que a Fundação Banco do Brasil aceita apoiar um projeto para finalizar o estúdio, ampliar as salas e edificar a sala em paredes de terra e telhado vivo. O que seria uma ampliação da área de convívio em 2006, transformou-se em um espaço para uma Rádio Comunitária em 2012, pois a mesma Fundação Banco do Brasil repassou a Guayí equipamentos para uma rádio.
E maio de 2012 se dá início à construção da sala com o Casa Tierra e mais que a construção este momento raro nos permite abrir um curso de bioconstrução, a Escola de Jovens Bioconstrutores, que durante os três primeiros meses da obra tiveram 5 jovens acompanhando o processo e  fizeram uma primeira formação em bioconstrução.
Foi com esta história que no dia 17 de abril de 2013, durante a 5ª Semana do Quilombo do Sopapo que inauguramos a sala transformando em realidade aquilo que era inimaginável para Dona Madalena. Uma história de continuidade e de memória viva, pois do anúncio de inauguração do Quilombo do Sopapo em 2008 feito na Ipanema Comunitária e da benção de Mestre Baptista em abril de 2008, nesta semana tivemos o debate sobre Rádio Comunitária do Sopapo com a participação da "A Voz do Morro" e a visita da família de Mestre Baptista que ainda não conhecia o Quilombo do Sopapo.
A Sala Viva encontra inspiração no clipe Latinoamerica do Calle 13 que está abaixo e para os leitores de maior fôlego após o clipe há um encantador texto sobre o que significa a construção em terra para a Cultura Viva e o que motivou o Quilombo do Sopapo perseguir desde 2006 este espaço.


Quem quiser assistir o clipe legendado em português clique aqui www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jW9_mFAGO0E .

Debate sobre rádio comunitária com a Voz do Morro         foto: Douglas Oliveira

Ensaios sobre a simbologia na construção com terra...

Entre os tantos distanciamentos que criamos com a visão de mundo fragmentada dos últimos milênios está a perda da sacralidade da construção. Muito mais do que fazer cálculos, derramar cimentos e empilhar tijolos, a construção de espaços nasce na noite do tempo dos seres humanos onde a consciência de um universo de possibilidades começa a ser percebido.
A construção surge em sincronia com a criação de ferramentas primordiais e o cultivo, em um momento de vida onde a dependência total e plena do ambiente não era questionada, mas onde damos nossos primeiros passos em direção a adaptação diferencial como espécie.
Não tenho dúvidas de que fomos influenciados por outras espécies que já há milênios vinham se aprimorando na arte do construir, sejam elas de convívio social (formigas, cupins) ou não (aves, pequenos mamíferos, etc..). E nesse sentido acredito que o diferencial que desenvolvemos aqui não foi à construção de estruturas de habitação em si, mas a criatividade no que diz respeito a materiais, formas, funções e símbolos. 
foto: Leandro Anton
O movimento da arquitetura bio construída certamente tem cumprido esse função de resgate. Resgate de relações mais saudáveis com o meio, resgate de técnicas e materiais, o resgate das tradições, dos ritos e da reverência ao sagrado. E é justamente sobre as possíveis atuações nestes campos mais sutis que quero abordar.
Independente de que material se use ou o espaço que se proponha, certamente é no espaço do sagrado que tudo começa, é no reino do fogo que encontramos a inspiração e sonhamos com o espírito do espaço. E é ainda no portal do visionário que tecemos os primeiros esboços, transformando a visão em desenho.
foto: Leandro Anton
Mas é no portal da terra que as coisas se materializam e a construção realmente acontece. Em um campo denso a terra se expressa através da matéria e da forma, é no movimento das sensações que escolhemos os materiais e fazemos as “misturas” e os arquétipos do Amante, do Curador e do Artesão começam a ser trabalhados.
É o Amante que através do entusiasmo e a busca pelo sensual escolhe os materiais a serem utilizados. A terra vermelha que traz paixão e vitalidade, o tato do grão de areia certo é a medida do quanto de memória e tradição vai na construção. O toque do Amante também é essencial para amassar o barro, pois esse é um ato de entrega, onde a nossa energia e a energia da terra se fundem em uma só massa, assim como no sexo um corpo se entrega ao outro e as barreiras entre os corpos deixam de existir para o êxtase acontecer.
Na medida da água a sabedoria se expressa no quanto de emoção é necessária para que a liga aconteça. É o Curador que se manifesta buscando os vínculos, a ligação de uma camada na outra, da parede com o reboco, a medicina de fazer com que as partes se transformem no todo.
foto: Douglas Oliveira

Nos acabamentos o Artesão busca a beleza e a estética, alinhando as formas, alisando a superfície com a mão moldando a intereza do espaço, criando uma identidade, um novo significado.
A Medicina do ar também se faz presente no processo de elaboração mental que acompanha todo o processo. Mas principalmente na vontade de trilhar novos caminhos e na determinação de construir novas relações, mais verdadeiras, mais inteiras, mais fraternas. Na comunicação sutil e às vezes silenciosa que acontece durante o trabalho, na troca de experiências de vida, na flexibilidade e leveza necessárias para o convívio coletivo sabendo honrar a preciosa individualidade de cada um. É o aprender a dançar em um pequeno pedaço de lona em cima do barro sem pisar no pé do outro.
foto: Leandro Anton
Na interação dos quatro elementos que a transformação acontece. Onde corpos, mentes, almas e espíritos se reencontram. E se é na união dos quatro elementos que se faz a quinta essência, outros níveis conscienciais também são trabalhados já que a bio construção também permite o reencontro entre gêneros no construir.
foto: Carlos Alberto


foto: Douglas Oliveira
Se nos últimos séculos a sociedade tentou nos convencer de que construção é trabalho pesado e coisa de macho e que o que cabe as mulheres não é o construir, mas o limpar, lavar e passar, as tradições antigas sempre souberam honrar a individualidade e o charme da cada gênero. Na Grécia antiga, era função das mulheres manter acessa a lareira no centro da casa, o fogo sagrado regido por Hestia, a deusa virgem do sagrado, era passado por tochas de mãe para filha no dia do casamento para garantir que, todo lar como espaço que acolhe seria sempre protegido, nutrido e iluminado.
Talvez, a frieza de muitas construções modernas não estejam só relacionados ao uso excessivo de metais, dos desings quadrados e impositivos, mas também pelo pouco envolvimento das mulheres nesse processo. Onde nós que somos as portadoras da essência do criar e acolher, somos distanciadas e taxadas de fracas e incompetentes. 
foto: Carlos Alberto
Pelos princípios em que se baseia e as técnicas que utiliza a bio construção, gera um espaço acolhedor para que homens sensíveis e mulheres fortes se encontrem. Reconhecendo que não somos iguais, que temos formas diferentes de pensar, de sentir, de agir, de trabalhar, de tocar e de nutrir. Mas que o prazer esta justamente na possibilidade de se permitir ser quem se é e se deixar encantar pelo outro encontrando plenitude e complementariedade. 
foto: Leandro Anton
O movimento é continuo e por isso chegar a um fim ou a uma conclusão não é possível. Mas não tenho dúvidas de que a bio construção é um movimento que nos permite ascender na espiral da evolução coletiva curando  ambientes e relações. 

Potira Preiss, maio de 2007. 

Post: Leandro Anton